Dor Crônica: A Dor do Corpo e da Alma




A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) conceitua a dor como uma “experiência sensitiva e emocional desagradável decorrente ou descrita em termos de lesões teciduais ou potenciais”. As doenças crônicas são aquelas com período prolongado de tratamento, geralmente sem possibilidade de cura. No adoecimento a pessoa confronta-se com uma situação nova, radicalmente diferente, capaz de lhe limitar o desempenho das suas atividades e das relações interpessoais. Portanto, é preciso ressignificar a relação com seu corpo e com os que lhe são mais próximos. Uma das causas da dor crônica pode ser subjetiva e pessoal, ou seja, a repetição de padrões internos e externos que acabam por se tornar uma enfermidade física.

Mas onde a enfermidade física dói?


Ela não dói apenas no corpo, mas na alma. Há uma pessoa que sofre, e sofre por inteiro. Alguém que está inserido em uma família, em um trabalho, em uma cultura. Entendo que a “dor na alma” está ligada às conseqüências da dor no corpo. E quais são as conseqüências emocionais da dor crônica? Podem ser: desesperança, raiva, cansaço e descrença em relação aos tratamentos, impotência, medo, alteração do humor/sono/apetite, questionamento da própria identidade e rigidez de pensamento.

Se a vivência da dor é tão ampla e multifatorial, entendo que o acompanhamento ao paciente deve ser feito por diversos profissionais, que troquem informações e cheguem a novos conhecimentos em relação à vivência de quem sofre (equipe interdisciplinar). Nesta equipe deve estar presente a atuação do psicólogo, onde seu papel é o de trabalhar os aspectos emocionais envolvidos no adoecimento, intervindo na prevenção e no reflexo da desarmonização da pessoa e da família. É importante que o paciente tenha um espaço de escuta sem pré julgamentos (psicoterapia) para que ele se escute e encontre suas próprias respostas; um processo importante de reconstrução, quando, muitas vezes, a imagem que se tem de si e do mundo é alterada. Com a maior compreensão de sua doença, de sua vida e de si mesmo, há a possibilidade de o paciente criar recursos internos para descobrir novas formas de se relacionar e de estar no mundo.